junho de 2018 | Edição 701
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Como vivem os tubarões no Ártico
Mesmo com os mais recentes avanços tecnológicos, nosso conhecimento global da vida marinha ainda é muito escasso – e aumentar isso vai depender dos cientistas de computação do MIT e do peixe robótico desenvolvido pelo California Intelligence Laboratory, ou CSAIL.

O peixe é chamado de SoFi e tem nadado em testes a até 15 metros de profundidade e 40 minutos diretos, lidando com correntes bravas ao mesmo tempo em que tira fotos e vídeos com câmeras dotadas de lente grande angular - que, em inglês, são adequadamente chamadas de fisheye lenses, ou lentes de olho de peixe. Usando sua cauda ondulatória e sua capacidade única de controlar sua flutuabilidade, SoFi pode nadar em linha reta, girar à esquerda ou à direita, e ir para cima e para baixo.

Os pesquisadores usaram um controlador à prova d’água Super Nintendo e desenvolveram um sistema de comunicação acústico que lhes permite mudar a velocidade e fazer com que faça curvas e movimentos específicos.

“Que saibamos, este é o primeiro peixe robótico capaz de nadar em três dimensões por longos períodos de tempo”, diz Robert Katzschmann, candidato a PhD no California Intelligence Laboratory e principal autor do artigo publicado na revista Science Robotics. “Estamos excitados pela possibilidade de poder usar um sistema como este para chegar à vida marinha antes que os humanos sozinhos possam faze-lo.”

Katzschmann trabalhou no projeto juntamente com a diretora do CSAIL Daniela Rus, o estudante graduado Joseph DelPreto e o pós-graduado Robert MacCurdy, hoje professor assistente na Universidade do Colorado em Boulder.

Os veículos subaquáticos autônomos (AUVs) têm tradicionalmente sido puxados por embarcações ou dotados de grandes e caros hélices.

O SOFi, ao contrário, é muito mais simples e leve, com uma câmara, um motor e uma bateria de lítio dessas encontradas em smartphones. Para fazer com que o SOFI nade, o motor bombeia água em duas câmaras tipo balão na cauda, que funcionam como pistões num motor de combustão. À medida que uma das câmaras expande, ela dobra e flexiona para um dos lados, à velocidade de meio corpo por segundo.

Cecília Laschi, professora de biorobótica na Escola Sant’Anna de Estudos Avançados em Pisa¸ na Itália, diz ‘que com um robô assim pode-se explorar um arrefice muito mais de perto e também ser mais bem aceito pelas espécies marinhas.

A metade traseira do peixe é feita de borracha de silicone plástico flexível e alguns componentes são impressos em 3D (inclusive a cabeça, onde está toda a eletrônica).

Um grande desafio foi conseguir fazer com que o SoFi nadasse a profundidades diversas. Ele tem duas barbatanas laterais, uma para cima e outra para baixo, um compartimento ajustável de peso e uma unidade de controle de flutuabilidade, que pode mudar sua densidade comprimindo e descomprimindo o ar.

O sistema de comunicação envia mensagens a comprimentos de onda de 30 a 36 kilohertz.

"O robô consegue fazer observações e interações com a vida marinha e parece não pertubar os peixes verdadeiros", diz Rus.