março de 2019 | Edição 716
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O enjôo e o carro autônomo
Os condutores dos futuros veículos autônomos (automóveis, caminhões, ônibus etc) dividirão sua atenção a um filme, ao escrever, ao ler, falar ao telefone, comer e mil outras coisas que não exigirão ficar de olho na estrada. O problema é que são exatamente essas coisas que deixam enjoado o motorista comum dentro de um veículo em movimento, quando seus ouvidos não estão alinhados ao que seus olhos observam.
Estudos científicos dizem que 70% das pessoas ficam enjoadas num automóvel, sempre que esse desalinhamento acontece – e que isso acontecerá com maior frequência no carro autônomo, porque os passageiros terão maior dificuldade de antecipar a direção do movimento. Ninguém, na indústria automobilística aceitaria um futuro em que seus passageiros de ônibus ou táxis tenham náuseas constantes ou de usar saquinhos de vômito do tipo aeronáutico.

Não pensem que o novo carro da Jaguar Land Rover britânica vai entrar automobilísticamente por este caminho – ao contrário, sua fábrica está trabalhando num algoritmo que gera uma nota (zero a cem, por exemplo) de bem-estar vinda de câmeras e sensores biométricos para cada passageiro e condição ambiental. Tudo é levado em consideração, como estar suando, fechando os olhos, inclinando para frente e para trás, e até mesmo o numero de batimentos de seu coração.

A partir desses dados, o carro automaticamente responderá ajustando a temperatura da cabine, pedindo polidamente que os passageiros mudem de posição nos bancos e que abram ou fechem os vidros. Nos trechos desagradáveis, de piso esburacado ou com muitas curvas, a suspensão ficará adequadamente mais, ou menos, rígida.

A JLR explica que já acumulou mais de 24.000 quilômetros na coleta de dados sobre enjôo automotivo, que já está no final desta pesquisa e que o resultado até agora é a redução do enjôo em 60% - ótima para a futura revolução dos robô-táxis.